segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

RITO

por séculos de luas frias
quantas vezes me perdi
nos corredores do tempo
ai as mulheres que fui
nessa galeria de espelhos
minha sombra como um grito
como um uivo a me seguir
separada de mim
por um palmo de deserto
éramos tantas as náufragas
as loucas
quando uma morria
logo vinha outra
trocávamos de olhos
como se troca de roupa
por séculos de luas frias
ai as mulheres que fui
como pássaros numa caixa.

Roseana Murray

VIAGEM






Cecília Meireles


Fez tanto luar que eu pensei em teus olhos antigos
e nas tuas antigas palavras.
O vento trouxe de longe tantos lugares em que estivemos
que tornei a viver contigo enquanto o vento passava.

Houve uma noite que cintilou sobre o teu rosto
e modelou tua voz entre as algas.
Eu moro, desde então, nas pedras frias que o céu protege
e estudo apenas o ar e as águas.

Coitado de quem pôs sua esperança
nas praias fora do mundo...
- Os ares fogem, viram-se as água,
mesmo as pedras, com o tempo, mudam.

In Poesias Completas

Algo que sinto



A longa noite em seus olhos
encobre-me, seu sorriso
encobre-me distante
em razão constante
em coração as palavras
por ele são regidas
por ele são descritas
harmoniosas aos sentidos
sentidos por mim quando se provam
quando por ti olham
assim se fazem palavras, as rimas se encantam
aqui estou
pronto para ti, em palavras
com meus gestos, construindo versos.

Derramando em seus olhos
percorre-me em arrepio
percorre-me sua lágrima
sentimento de lástima
em meu coração as palavras
que nunca foram ditas
amorosas sem sentido
sem sentido abandonadas ao relento
quando tua lágrima chora
assim em versos jogados ao vento
aqui estou
trazendo-te em palavras
com meus versos, construindo gestos.
-
Anorkinda Neide
-

LAGO ENCANTADO




Era um lago negro
Prateado, encantado
Banhado pela lua do afago

Tinha o brilho profundo
Dos mares mais fundos
Ao redor, um monte de neve
Banhado pelo amanhecer

Era um lago negro
Era profundo
Era prateado
Banhado pela lua do abraço

Era um monte de neve
De brilho profundo
Dos mares mais turvos
Banhado pela lua cheia de amor

Era prateado
Profundo
Era um lago negro
Banhado pelo meigo anoitecer

Dhenova - 12/09/2007
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- TELEPATIA - Enise Carone




Encante-me!
Sem que eu saiba
Onde começa o teu riso
Ou termina o teu pranto.

Encante-me!
Sem que eu conheça
As estampas da tua agonia
Nem onde deitam teus medos.

Encante-me!
Com a lua a brincar
De encher e minguar
No céu de tuas magias.

Encante-me mesmo!
Sem fazer de conta
Que a força da minha onda
Não afronta
As marolas da tua calmaria.

Encante-me!
Deixa o teu rastro
Nas minhas noites vazias
Conte-me qualquer história
Que saia da tua cartola... de fantasias.

Surpreenda-me!
Faça com que em tua trajetória
Teus aromas em mim se encalhem
Mesmo que teus encantos se espalhem
Ainda assim... por telepatia.
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Enise Carone
Poesia do Brasil – Vol. 07
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Amor sem limites



Dirias que não há limites no amor
Sequer o que esbarra na espera
Nem os tabefes da adversidade
Para além da aduaneira da idade

Amor que rasga a carne feito fera
Amor do clichê premiado feito flor
Amor tão autoreflexivo feito amor
Amor de giro incontido feito Terra

Dirias limites não são realidade
Seriam agentes da obscuridade
Nenhuma idéia liberta se encerra
Não é propriedade de um senhor

Amor que pinta a libido feito cor
Amor que fatia o peito feito serra
Amor de pedra tão dura feito jade
Amor de olhar cristalino feito verde

Dirias que só com limites se impera
Seriam arquitetos do altar da dor
Amar sem limites no mundo inferior
As regras são as causas da guerra.


Sacharuk - janeiro/2009
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DIGNIDADE AO SEU AMOR
Freqüentemente, confundimos amor com carência. Deixamos essa sensação de vazio e solidão ocupar nosso coração de tal forma e com tal intensidade que perdemos a referência dos nossos mais profundos sentimentos. No entanto, fiquei pensando num antídoto para esses enganos e não me veio nada melhor que a palavra "dignidade"! Palavra essa que tem a ver com honra, amor-próprio, respeito, enfim, autoridade para amar!
É isso: que tenhamos autoridade para amar!!! Porque usar as dificuldades de uma relação para rapidamente ocuparmos o papel de vítimas é o que temos feito quase sempre. Mas nos falta coragem para admitir nossas limitações, para conseguir reconhecer o outro como um mestre, um espelho de nós mesmos. Porém, esquecemos que da mesma forma que esse espelho nos mostra nossas feridas e dores, nossos buracos e medos... da mesma forma que ele escancara nossa insegurança e muitas de nossas máscaras... ele também nos mostra nossas qualidades, nossa sabedoria, nossos dons e brilho pessoal.
É no exercício de amar e compartilhar o que temos de mais íntimo, que podemos perceber quem realmente somos, desde que estejamos dispostos a nos olhar, a nos autoconhecer e nos reconhecer exatamente como somos. A partir de então, podemos iniciar um processo de transformação, de autotransmutaçã o. Essa é a grande magia do amor. É a alquimia do coração! Muito mais importante do que ficarmos o tempo todo fazendo questionamentos sobre os conceitos e as regras do amor, é a oportunidade que temos de compreender a força e o poder contidos no momento presente, no agora!
Portanto, sugiro que você relaxe e pare de se preocupar com perguntas como "será que encontrei minha alma gêmea?", "será que vai dar certo?", "será que devo me expor, ser sincera e mostrar o que sinto?". Chega de tantas suposições para amar! Chega de buscarmos tantos motivos, tantas respostas, tantas garantias... Que possamos simplesmente nos deixar absorver pelo que a vida está nos oferecendo neste instante; que possamos nos agarrar à preciosa chance de nos encontrarmos, de finalmente enxergarmos a nossa própria alma através do amor, do que o outro se torna em nossas vidas.
É a intensidade com que você vive que faz a sua vida realmente valer a pena! É a sua decisão de acreditar que o seu poder pessoal está dentro de você - e nunca no outro - que faz com que o amor se transforme num caminho para a sua evolução e não num jogo onde ganha quem está "sempre por cima"... Isso é uma grande perda de tempo! Um enorme desperdício de energia, sentimento e possibilidades. Olhe para o outro e enxergue nele, de uma vez por todas, o amor que você tem para dar, a alegria que você pode proporcionar, o encanto que brilha em sua essência.
Tudo, absolutamente tudo, inclusive o amor, acontece de dentro pra fora! Mas enquanto você insistir em atribuir à vida, ao outro ou à relação tudo o que você sente de bom ou de ruim, nada terá sido verdadeiramente seu... Dê dignidade ao seu amor, assim como a tudo que faz parte de você. Seja a sua dor, o seu desespero, a sua falta de autoconfiança, o seu medo de não conseguir... Não importa: que você seja digno enquanto chora e enquanto ri. Enquanto ama e enquanto perde o seu amor.
Que você possa ter autoridade sobre seu coração durante todos os dias de sua vida, porque depois dos momentos mais difíceis que você passar, restará apenas isso: a sua dignidade e, sobretudo, a sua capacidade de recomeçar e amar novamente... sempre de uma maneira nova, mais inteira, mais você!


Ana Lúcia