quinta-feira, 15 de maio de 2008

O SEGREDO é Cultivar


As pessoas têm fome por resultados. Todos querem uma vida feliz e próspera, mas muito poucos se esforçam para isso acontecer. Todos almejam um alto padrão, mas poucos se propõem a escalar até lá. Tem havido uma venda recorde de livros e vídeos como “O Segredo”, cuja proposta é tornar os nossos sonhos realidade. Isso mostra que as pessoas carecem de meios para conseguir o que querem. Mais que isso, elas estão à procura de fórmulas para a felicidade.

Antes de falarmos sobre o ideal, vejamos como vive a sociedade. Desde a infância, as pessoas crescem num mundo de disputas, ouvindo que têm que ser melhores que os outros. Ouvem que isso pode, que aquilo não pode, que isso é feio, que aquilo é bom. Elas não têm a chance de opinar, pois tudo já passou pelo processo de rotulação de acordo com os padrões sociais. Nossa individualidade é desvalorizada e aprendemos que na vida, tudo já está pronto. O mundo é uma vitrine onde os nossos sonhos estão expostos. O nosso trabalho é ganhar dinheiro, chegar lá e comprar. Inconscientemente, achamos que o trabalho serve para conseguir dinheiro e que o dinheiro serve para adquirirmos o que queremos. Deixamos de participar ativamente do processo natural de causa e efeito.

Em nossa vida capitalista e urbana, o que nos falta é aprendermos a ser bons agricultores. Na ânsia pelo fruto, deixamos de lado o processo do plantio. Na natureza, notamos que existe um ciclo regrado do plantio à colheita. Por mais que queiramos comprar, se não está na época de determinado fruto, não adianta insistir. Se queremos determinado fruto, saibamos que ele é resultado de uma correta seleção. O agricultor seleciona as sementes cujos frutos deseja colher, planta-as em um bom solo e cuida para que sejam bem nutridas. Apesar de ter como objetivo o fruto, ele não se concentra na colheita, mas sim em ser um bom semeador.


Não é assim a mentalidade da sociedade. Ela mantém os olhos no futuro e se esquece de construir o presente. Ela força o resultado ao invés de investir nele. O agricultor sabe que valorizando o presente, o futuro será otimizado. Com uma boa base, o crescimento é conseqüência natural. Só é necessário escolher a matriz de onde virá o fruto e zelar para um bom desenvolvimento.

Precisamos conhecer o processo para atingirmos os resultados. Aprendamos com as árvores: em sua aparente imobilidade, ela consome os nutrientes do ar e do solo, desenvolve seus ramos e se eleva em direção ao céu. Por criar fortes bases e estar bem arraigada ao solo, ela enfrenta as tempestades sem se esquivar. Não adianta querer ser forte se não aprender a ser flexível. Não adianta querer ser comandante se não souber ser um bom soldado. É a humildade que forma a soberania, pois soberania sem humildade se torna tirania. A natureza ensina que os resultados são construídos e não impostos. Só depende do cultivo.

Marco Moura

terça-feira, 13 de maio de 2008

* O POÇO *



Cais, às vezes, afundas
em teu fosso de silêncio,
em teu abismo de orgulhosa cólera,
e mal consegues
voltar, trazendo restos
do que achaste
pelas profunduras da tua existência.

Meu amor, o que encontras
em teu poço fechado?
Algas, pântanos, rochas?
O que vês, de olhos cegos,
rancorosa e ferida?

Não acharás, amor,
no poço em que cais
o que na altura guardo para ti:
um ramo de jasmins todo orvalhado,
um beijo mais profundo que esse abismo.

Não me temas, não caias
de novo em teu rancor.
Sacode a minha palavra que te veio ferir
e deixa que ela voe pela janela aberta.
Ela voltará a ferir-me
sem que tu a dirijas,
porque foi carregada com um instante duro
e esse instante será desarmado em meu peito.

Radiosa me sorri
se minha boca fere.
Não sou um pastor doce
como em contos de fadas,
mas um lenhador que comparte contigo
terras, vento e espinhos das montanhas.

Dá-me amor, me sorri
e me ajuda a ser bom.
Não te firas em mim, seria inútil,
não me firas a mim porque te feres.

PABLO NERUDA
********
FONTE-INTERNET

"Sob as Acácias Floridas"


1
Com Novembro a chiar nestas cigarras
as acácias sangrando suas flores
e um sol afirmativo num céu alto
Espero a tua carta e a minha vida
Uma pausa do tempo em minhas mãos
preenchida
pela contagem das horas
nas cigarras e pétalas caídas.
2
A rua corre larga e sossegada
É a hora de tu vires!
Tu vens (eu sei) na moldura vesperal
com esta luz do passado nas paredes
e este céu de altocúmulos de Dezembro.
Com os estames d'acácia
jogo a vida nas sortes infantis
Antera cai? Não cai? Ela virá? Não vem?
E a cada sorte recuso a evidência
Ela virá? Não vem?
É a hora de chegares!
3
Os aros dos meus óculos te emolduram
ó Vénus de cabelos desfrizados!
Enquanto as minhas mãos, cegas, procuram
o cofre dos teus seis apertados.
Construímos assim a primavera
a negada primavera dos amores:
Pega uma flor d'acácia para a pores
no meu cabelo indómito de fera.
Repara e vê a doce realidade:
os nossos jogos simples e ingénuos!
Esta soalheira vespertina hoje é-nos
bela imagem da nossa felicidade.
4
Cigarreio sem sol neste Dezembro.
E um céu da cor da angústia que me dá
a tua ausência em carne e em pensamento.
Magoa-me o teu rosto que não lembro
e o tau vestido branco táfetá
que voava batido pelo vento.
Se esta vida tão clara e simples fosse
como a imagem fixada desse instante
nenhum mal me faria esta chuva precoce.
Chuva, mãe dos poetas, minha amante,
lava às acácias o sanguíneo canto,
cala a voz das cigarras e o meu pranto!

Autor: Mario Antonio
Poeta Angolano
*.*.*.*.

* FANTASIAS DO DESTINO *




Bailem... bailem fantasias.
Desgarre em vivas cores,
Arranquem de mim os amores.
Matem as minhas alegrias...
Quero-me nos poemas de Dante,
Quero-me louco neste instante...

E tudo isto, porque ela partiu.
Sinto a fúria do mar bramindo,
O sol que me ilumina, já caindo
E no coração, estranho vazio...
Deuses que aconteceu com a ternura,
Será que mereço, tão grande tortura.

Não chores por mim, eu vou
Olhem as flores, esqueçam o perfume
Não há amor, esqueceu até o ciúme
Deste ser que loucamente amou...
Bailem... bailem fantasias,
Matem em mim as alegrias...

Quero e sou... um deus de tristeza.
Roubaram o sol... da minha vida;
Já sem ela... por mim perdida,
Comédia hostil... uma certeza.

(António Zumaia)
Poeta português
*.*.*.*.*.
colaboradora:Gênia.

DO NADA ME TORNEI TUDO



Desse incrível Nada, tornei-me Tudo!
Tornei-me brilho das Estrelas!..
Inspiração dos Poetas ,sem poesia,
Amor dos desamados,
Vida para meus desatinos!..

Larguei meu batel ao léu,
singrei mares de loucura,
forjei esperanças vãs!
Saí a tua procura!..

Sem ti, não viveria, nada teria,
quando tudo almejava !..
Te queria em meus sonhos,
nas noites mal dormidas,
nos eternos descaminhos,
só encontrando o nada!

Fugi, lutei, emergi, saí de mim!
Encontrei o Tudo ,
para me acompanhar no Nada!
Finalmente, disse adeus às Ilusões,
beijei a boca da loucura,
procurando encontrar meu Tudo,
só tendo o Nada!

Ainda uma volta,
no descompasso da vida!
Gritei, clamei por ti!
Finalmente te encontrei!..
Não eras mais a Composição do Nada!
Encontrei minha Composição do Tudo...
E... Fui Feliz!

(Eda Carneiro da Rocha)
*.*.*.*.*.*.
Colaboradora:Denise.

Sem Título...

Morre lentamente: quem não viaja, quem não lê, quem não
ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem
não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma em escravo do
hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca,
não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não
conhece.

Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.

Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o
negro sobre o branco e os pontos sobre os "is" em detrimento de um
redemoinho de emoções justamente as que resgatam o brilho dos
olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um
sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida
fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da
sua má sorte ou da chuva incessante.

Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de
iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não
responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Morre lentamente... "
PABLO NERUDA
*.*.*.*.

POEMA XVII



"Não te amo como se fosses a rosa de sal,
topázio ou flechas de cravos
que propagam o fogo.

Te amo como se amam
Certas coisas obscuras, secretamente,
Entre a sombra e a alma.

Te amo como a planta que não floresce
e leva dentro de si, oculta,
a luz daquelas flores...

E graças a teu amor
vive escuro em meu corpo o apertado
aroma que ascendeu da terra.

Te amo sem saber como...
nem quando...
nem onde...

Te amo assim diretamente...
sem problemas...
sem orgulho...

Assim te amo
por que não sei amar...
de outra maneira
sendo assim deste modo!

Que não sou
nem és tão perto
que tua mão
sobre o meu peito é minha
tão perto que se fecham
teus olhos com meu sonho..."

PABLO NERUDA Em,
Cem Sonetos de Amor, Pág 23
*.*.*.*..*