Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
Luís de Camões
sábado, 12 de julho de 2008
Procura-te em ti mesmo
O equilíbrio interior é presente quando a tua atenção é direcionada a ti mesmo.
Os teus medos atenuam quando sentes a presença do amor em ti.
As tuas dúvidas cessam diante à tua certeza na vida, na alegria, na expansão do teu ser.
A tua solidão dá lugar ao preenchimento quando sentes o que o teu coração expressa.
A tua ferida encontra a cura quando descobres que não estás sozinho, quando descobres o quanto és amado e agraciado.
O teu choro é estancado quando a tua vontade em celebrar a vida é maior.
A tua inocência é resgatada quando descobres que nada mais és que a Criança de Deus.
E quando perguntas quem és, digo que és a perfeição que habita na paz de Deus.
És a essência que o Criador deixou para que o mundo fosse pleno, sem culpa.
Procura-te em ti mesmo para que possas percorrer-te e conhecer-te plenamente,para que depois possas ensinar aos teus as dádivas concebidas àqueles que descobrem já não estarem preocupados com os dias e as noites e sim com o momento presente, passo a passo, rumo ao grande despertar.
Autor Desconhecido
Enviado por Carla Rieke
Os teus medos atenuam quando sentes a presença do amor em ti.
As tuas dúvidas cessam diante à tua certeza na vida, na alegria, na expansão do teu ser.
A tua solidão dá lugar ao preenchimento quando sentes o que o teu coração expressa.
A tua ferida encontra a cura quando descobres que não estás sozinho, quando descobres o quanto és amado e agraciado.
O teu choro é estancado quando a tua vontade em celebrar a vida é maior.
A tua inocência é resgatada quando descobres que nada mais és que a Criança de Deus.
E quando perguntas quem és, digo que és a perfeição que habita na paz de Deus.
És a essência que o Criador deixou para que o mundo fosse pleno, sem culpa.
Procura-te em ti mesmo para que possas percorrer-te e conhecer-te plenamente,para que depois possas ensinar aos teus as dádivas concebidas àqueles que descobrem já não estarem preocupados com os dias e as noites e sim com o momento presente, passo a passo, rumo ao grande despertar.
Autor Desconhecido
Enviado por Carla Rieke
NAS ÁGUAS DO TEMPO
Meu avô, nesses dias, me levava rio abaixo, enfilado em seu pequeno concho. Ele remava, devagaroso, somente raspando o remo na correnteza. O barquito cabecinhava, onda cá, onda lá, parecendo ir mais sozinho que um tronco desabandonado.
- Mas vocês vão aonde?
Era a aflição de minha mãe. O velho sorria. Os dentes, nele, eram um artigo indefinido. Vovô era dos que se calam por saber e conversam mesmo sem nada falarem.
- Voltamos antes de um agorinha, respondia.
Nem eu sabia o que ele perseguia. Peixe não era. Porque a rede ficava amolecendo o assento. Garantido era que, chegada a incerta hora, o dia já crepusculando, ele me segurava a mão e me puxava para a margem. A maneira como me apertava era a de um cego desbengalado. No entanto, era ele quem me conduzia, um passo à frente de mim. Eu me admirava da sua magreza direita, todo ele musculíneo. O avô era um homem em flagrante infância, sempre arrebatado pela novidade de viver.
Entrávamos no barquinho, nossos pés pareciam bater na barriga de um tambor. A canoa solavanqueava, ensonada. Antes de partir, o velho se debruçava sobre um dos lados e recolhia uma aguinha com sua mão em concha, E eu lhe imitava.
- Sempre em favor da água, nunca esqueça!
Era sua advertência. Tirar água no sentido contrário ao da corrente pode trazer desgraça. Não se pode contrariar os espíritos que fluem.
Depois viajávamos até ao grande lago onde nosso pequeno rio desaguava. Aquele era o lugar das interditas criaturas. Tudo o que ali se exibia, afinal, se inventava de existir. Pois, naquele lugar se perdia a fronteira entre água e terra. Aquelas inquietas calmarias, sobre as águas nenufarfalhudas, nós éramos os únicos que preponderávamos. Nosso barquito ficava ali, quieto, sonecando no suave embalo. O avô, calado, espiava as longínquas margens.
Tudo em volta mergulhava em cacimbações, sombras feitas da própria luz, fosse ali a manhã eternamente ensonada. Ficávamos assim, como em reza, tão quietos que parecia-mos perfeitos.
De repente, meu avô se erguia no concho. Com o balanço quase o barco nos deitava fora. O velho, excitado, acenava. Tirava seu pano vermelho e agitava-o com decisão. A quem acenava ele? Talvez era a ninguém. Nunca, nem por pinte, vislumbrei por ali alma deste ou de outro mundo. Mas o avô acenava seu pano.
- Você não vê lá, na margem? por trás do cacimbo?
Eu não via. Mas ele insistia, desabotoando os nervos.
- Não é lá. É lááá. Não vê o pano branco, a dançar-se?
Para mim havia era a completa neblina e os receáveis aléns, onde o horizonte se perde.
Meu velho, depois, perdia a miragem e se recolhia, encolhido no seu silêncio. E regressávamos, viajando sem companhia de palavra.
Em casa, minha mãe nos recebia com azedura. E muito me proibia, nos próximos futuros. Não queria que fôssemos para o lago, temia as ameaças que ali moravam. Primeiro, se zangava com o avô, desconfiando dos seus não-propósitos. Mas depois, já amolecida pela nossa chegada, ela ensaiava a brincadeira:
- Ao menos vissem o namwetxo moha! Ainda ganhávamos vantagem de uma boa sorte...
O namwetxo moha era o fantasma que surgia à noite, feito só de metades: um olho, uma perna, um braço. Nós éramos miúdos e saíamos, aventurosos, procurando o moha. Mas nunca nos foi visto tal monstro. Meu avô nos apoucava. Dizia ele que, ainda em juventude, se tinha entrevisto com o tal semifulano. Invenção dele, avisava minha mãe. Mas a nós, miudagens, nem nos passava desejo de duvidar.
Certa vez, no lago proibido, eu e vovô aguardávamos o habitual surgimento dos ditos panos. Estávamos na margem onde os verdes se encaniçam, aflautinados. Dizem: o primeiro homem nasceu de uma dessas canas. O primeiro homem? Para mim não podia haver homem mais antigo que meu avô. Acontece que, dessa vez, me apeteceu espreitar os pântanos. Queria subir à margem, colocar pé em terra não-firme.
- Nunca! Nunca faça isso!
O ar dele era de maiores gravidades.
Eu jamais assistira a um semblante tão bravio em meu velho. Desculpei-me: que estava descendo do barco mas era só um pedacito de tempo. Mas ele ripostou:
- Neste lugar não há pedacitos. Todo o tempo, a partir daqui, são eternidades.
Eu tinha um pé meio-fora do barco, procurando o fundo lodoso da margem. Decidi me equilibrar, busquei chão para assentar o pé. Sucedeu-me então que não encontrei nenhum fundo, minha perna descia engolida pelo abismo. O velho acorreu-me e me puxou. Mas a força que me sugava era maior que o nosso esforço. Com a agitação, o barco virou e fomos dar com as costas posteriores na água. Ficámos assim, lutando dentro do lago, agarrados às abas da canoa. De repente, meu avô retirou o seu pano do barco e começou a agitá-lo sobre a cabeça.
- Cumprimenta também, você!
Olhei a margem e não vi ninguém. Mas obedeci ao avô, acenando sem convicções. Então, deu-se o espantável: subitamente, deixámos de ser puxados para o fundo. O remoinho que nos abismava se desfez em imediata calmaria. Voltámos ao barco e respirámos os alívios gerais. Em silêncio, dividimos o trabalho do regresso. Ao amarrar o barco, o velho me pediu:
- Não conte nada o que se passou. Nem a ninguém, ouviu?
Nessa noite, ele me explicou suas escondidas razões. Meus ouvidos se arregalavam para lhe decifrar a voz rouca. Nem tudo entendi. No mais ou menos, ele falou assim: nós temos olhos que se abrem para dentro, esses que usamos para ver os sonhos. O que acontece, meu filho, é que quase todos estão cegos, deixaram de ver esses outros que nos visitam. Os outros? Sim, esses que nos acenam da outra margem. E assim lhes causamos uma total tristeza. Eu levo-lhe lá nos pântanos para que você aprenda a ver. Não posso ser o último a ser visitado pelos panos.
- Me entende?
Menti que sim. Na tarde seguinte, o avô me levou uma vez mais ao lago. Chegados à beira do poente ele ficou a espreitar. Mas o tempo passou em desabitual demora.
O avô se inquietava, erguido na proa do barco, palma da mão apurando as vistas. Do outro lado, havia menos que ninguém. Desta vez, bem o avô não via mais que a enevoada solidão dos pântanos. De súbito, ele interrompeu o nada:
- Fique aqui!
E saltou para a margem, me roubando o peito no susto. O avô pisava os interditos territórios? Sim, frente ao meu espanto, ele seguia em passo sabido. A canoa ficou balançando, em desequilibrismo com meu peso ímpar. Presenciei o velho a alonjar-se com a discrição de uma nuvem. Até que, entre a neblina, ele se declinou em sonho, na margem da miragem. Fiquei ali, com muito espanto, tremendo de um frio arrepioso. Me recordo de ver uma garça de enorme brancura atravessar o céu. Parecia uma seta trespassando os flancos da tarde, fazendo sangrar todo o firmamento. Foi então que deparei na margem, do outro lado do mundo, o pano branco. Pela primeira vez, eu coincidia com meu avô na visão do pano. Enquanto ainda me duvidava foi surgindo, mesmo ao lado da aparição, o aceno do pano vermelho do meu avô. Fiquei indeciso, barafundido. Então, lentamente, tirei a camisa e agitei-a nos ares. E vi: o vermelho do pano dele se branqueando, em desmaio de cor. Meus olhos se neblinaram até que se poentaram as visões.
Enquanto remava um demorado regresso, me vinham à lembrança as velhas palavras de meu velho avô: a água e o tempo são irmãos gémeos, nascidos do mesmo ventre. E eu acabava de descobrir em mim um rio que não haveria nunca de morrer. A esse rio volto agora a conduzir meu filho, lhe ensinando vislumbrar os brancos panos da outra margem.
Este belo texto, que considero uma obra de arte, é de um escritor moçambicano chamado MIA COUTO.
Varley
- Mas vocês vão aonde?
Era a aflição de minha mãe. O velho sorria. Os dentes, nele, eram um artigo indefinido. Vovô era dos que se calam por saber e conversam mesmo sem nada falarem.
- Voltamos antes de um agorinha, respondia.
Nem eu sabia o que ele perseguia. Peixe não era. Porque a rede ficava amolecendo o assento. Garantido era que, chegada a incerta hora, o dia já crepusculando, ele me segurava a mão e me puxava para a margem. A maneira como me apertava era a de um cego desbengalado. No entanto, era ele quem me conduzia, um passo à frente de mim. Eu me admirava da sua magreza direita, todo ele musculíneo. O avô era um homem em flagrante infância, sempre arrebatado pela novidade de viver.
Entrávamos no barquinho, nossos pés pareciam bater na barriga de um tambor. A canoa solavanqueava, ensonada. Antes de partir, o velho se debruçava sobre um dos lados e recolhia uma aguinha com sua mão em concha, E eu lhe imitava.
- Sempre em favor da água, nunca esqueça!
Era sua advertência. Tirar água no sentido contrário ao da corrente pode trazer desgraça. Não se pode contrariar os espíritos que fluem.
Depois viajávamos até ao grande lago onde nosso pequeno rio desaguava. Aquele era o lugar das interditas criaturas. Tudo o que ali se exibia, afinal, se inventava de existir. Pois, naquele lugar se perdia a fronteira entre água e terra. Aquelas inquietas calmarias, sobre as águas nenufarfalhudas, nós éramos os únicos que preponderávamos. Nosso barquito ficava ali, quieto, sonecando no suave embalo. O avô, calado, espiava as longínquas margens.
Tudo em volta mergulhava em cacimbações, sombras feitas da própria luz, fosse ali a manhã eternamente ensonada. Ficávamos assim, como em reza, tão quietos que parecia-mos perfeitos.
De repente, meu avô se erguia no concho. Com o balanço quase o barco nos deitava fora. O velho, excitado, acenava. Tirava seu pano vermelho e agitava-o com decisão. A quem acenava ele? Talvez era a ninguém. Nunca, nem por pinte, vislumbrei por ali alma deste ou de outro mundo. Mas o avô acenava seu pano.
- Você não vê lá, na margem? por trás do cacimbo?
Eu não via. Mas ele insistia, desabotoando os nervos.
- Não é lá. É lááá. Não vê o pano branco, a dançar-se?
Para mim havia era a completa neblina e os receáveis aléns, onde o horizonte se perde.
Meu velho, depois, perdia a miragem e se recolhia, encolhido no seu silêncio. E regressávamos, viajando sem companhia de palavra.
Em casa, minha mãe nos recebia com azedura. E muito me proibia, nos próximos futuros. Não queria que fôssemos para o lago, temia as ameaças que ali moravam. Primeiro, se zangava com o avô, desconfiando dos seus não-propósitos. Mas depois, já amolecida pela nossa chegada, ela ensaiava a brincadeira:
- Ao menos vissem o namwetxo moha! Ainda ganhávamos vantagem de uma boa sorte...
O namwetxo moha era o fantasma que surgia à noite, feito só de metades: um olho, uma perna, um braço. Nós éramos miúdos e saíamos, aventurosos, procurando o moha. Mas nunca nos foi visto tal monstro. Meu avô nos apoucava. Dizia ele que, ainda em juventude, se tinha entrevisto com o tal semifulano. Invenção dele, avisava minha mãe. Mas a nós, miudagens, nem nos passava desejo de duvidar.
Certa vez, no lago proibido, eu e vovô aguardávamos o habitual surgimento dos ditos panos. Estávamos na margem onde os verdes se encaniçam, aflautinados. Dizem: o primeiro homem nasceu de uma dessas canas. O primeiro homem? Para mim não podia haver homem mais antigo que meu avô. Acontece que, dessa vez, me apeteceu espreitar os pântanos. Queria subir à margem, colocar pé em terra não-firme.
- Nunca! Nunca faça isso!
O ar dele era de maiores gravidades.
Eu jamais assistira a um semblante tão bravio em meu velho. Desculpei-me: que estava descendo do barco mas era só um pedacito de tempo. Mas ele ripostou:
- Neste lugar não há pedacitos. Todo o tempo, a partir daqui, são eternidades.
Eu tinha um pé meio-fora do barco, procurando o fundo lodoso da margem. Decidi me equilibrar, busquei chão para assentar o pé. Sucedeu-me então que não encontrei nenhum fundo, minha perna descia engolida pelo abismo. O velho acorreu-me e me puxou. Mas a força que me sugava era maior que o nosso esforço. Com a agitação, o barco virou e fomos dar com as costas posteriores na água. Ficámos assim, lutando dentro do lago, agarrados às abas da canoa. De repente, meu avô retirou o seu pano do barco e começou a agitá-lo sobre a cabeça.
- Cumprimenta também, você!
Olhei a margem e não vi ninguém. Mas obedeci ao avô, acenando sem convicções. Então, deu-se o espantável: subitamente, deixámos de ser puxados para o fundo. O remoinho que nos abismava se desfez em imediata calmaria. Voltámos ao barco e respirámos os alívios gerais. Em silêncio, dividimos o trabalho do regresso. Ao amarrar o barco, o velho me pediu:
- Não conte nada o que se passou. Nem a ninguém, ouviu?
Nessa noite, ele me explicou suas escondidas razões. Meus ouvidos se arregalavam para lhe decifrar a voz rouca. Nem tudo entendi. No mais ou menos, ele falou assim: nós temos olhos que se abrem para dentro, esses que usamos para ver os sonhos. O que acontece, meu filho, é que quase todos estão cegos, deixaram de ver esses outros que nos visitam. Os outros? Sim, esses que nos acenam da outra margem. E assim lhes causamos uma total tristeza. Eu levo-lhe lá nos pântanos para que você aprenda a ver. Não posso ser o último a ser visitado pelos panos.
- Me entende?
Menti que sim. Na tarde seguinte, o avô me levou uma vez mais ao lago. Chegados à beira do poente ele ficou a espreitar. Mas o tempo passou em desabitual demora.
O avô se inquietava, erguido na proa do barco, palma da mão apurando as vistas. Do outro lado, havia menos que ninguém. Desta vez, bem o avô não via mais que a enevoada solidão dos pântanos. De súbito, ele interrompeu o nada:
- Fique aqui!
E saltou para a margem, me roubando o peito no susto. O avô pisava os interditos territórios? Sim, frente ao meu espanto, ele seguia em passo sabido. A canoa ficou balançando, em desequilibrismo com meu peso ímpar. Presenciei o velho a alonjar-se com a discrição de uma nuvem. Até que, entre a neblina, ele se declinou em sonho, na margem da miragem. Fiquei ali, com muito espanto, tremendo de um frio arrepioso. Me recordo de ver uma garça de enorme brancura atravessar o céu. Parecia uma seta trespassando os flancos da tarde, fazendo sangrar todo o firmamento. Foi então que deparei na margem, do outro lado do mundo, o pano branco. Pela primeira vez, eu coincidia com meu avô na visão do pano. Enquanto ainda me duvidava foi surgindo, mesmo ao lado da aparição, o aceno do pano vermelho do meu avô. Fiquei indeciso, barafundido. Então, lentamente, tirei a camisa e agitei-a nos ares. E vi: o vermelho do pano dele se branqueando, em desmaio de cor. Meus olhos se neblinaram até que se poentaram as visões.
Enquanto remava um demorado regresso, me vinham à lembrança as velhas palavras de meu velho avô: a água e o tempo são irmãos gémeos, nascidos do mesmo ventre. E eu acabava de descobrir em mim um rio que não haveria nunca de morrer. A esse rio volto agora a conduzir meu filho, lhe ensinando vislumbrar os brancos panos da outra margem.
Este belo texto, que considero uma obra de arte, é de um escritor moçambicano chamado MIA COUTO.
Varley
A Eternidade Do Instante
Fulgás e irreal esse estranho existe
Inevitavelmente me faz fugir amada
O que corre em minhas veias, para ficar triste
E minha boca descontente dá risada
O meu corpo que quer e resiste
Tudo e todos que meus olhos desagrada
Os dias, as semanas em que persiste
Ao sonho de uma vida mal-aventurada
Esse vento, essa doçura quando toca fere
Que quase te leva as estrelas
O nada sentir, doer prefere
Mesmo em toca-lá e não recolhe--lá
Mas vou vivendo cada instante
Vendo toda noite o apagar da chama
Que as vezes me embriaga delirante
Fazendo infinito gozo, o que é drama
O caminho é longo, a estrada escura
Porque nesse caminho sempre é madrugada
Onde o que mata, também cura
E eu deixo para trás, no alto a lua abandonada
Max Baptista
Inevitavelmente me faz fugir amada
O que corre em minhas veias, para ficar triste
E minha boca descontente dá risada
O meu corpo que quer e resiste
Tudo e todos que meus olhos desagrada
Os dias, as semanas em que persiste
Ao sonho de uma vida mal-aventurada
Esse vento, essa doçura quando toca fere
Que quase te leva as estrelas
O nada sentir, doer prefere
Mesmo em toca-lá e não recolhe--lá
Mas vou vivendo cada instante
Vendo toda noite o apagar da chama
Que as vezes me embriaga delirante
Fazendo infinito gozo, o que é drama
O caminho é longo, a estrada escura
Porque nesse caminho sempre é madrugada
Onde o que mata, também cura
E eu deixo para trás, no alto a lua abandonada
Max Baptista
Loucos e Santos
Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.
Oscar Wilde
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.
Oscar Wilde
Uma viagem observatória
estou no ônibus,
e ele passa, passam casas e passam postes, passam pessoas e elas tambéms passam.
quem as leva não sou eu,
elas são transeuntes, obsoletas em encontrar a felicidade tão comentada pelo mundo.
estou em pé,
e assisto a pessoas q tem uma vida mediocre, se comparadas a si mesmas. Todas tão satisfeitas com o que já fizeram, que descansam em pleno momento de ascensão moral.
um lugar se vagou,
no ônibus, no cás, em qualquer parada - um aperto mais forte. Pessoas sendo observadas, por mim, por outras, e sentem-se necessárias no contexto em que vivem, e fazem uma experiência simples se tornar cada vez e mais conturbadora.
olhei e pensei,
se deixaria q a vaga me escapasse, se era o momento de parar a avaliação constante de meus suspostos semelhantes. Não, era o que eu tinha a dizer. Esperei
ela sentou,
mas não antes de sorrir com parcimônia, de canto de boca recebi um recibo de que tinha feito uma boa ação. Mas eu não me importei com a sua vida sofrida de 'proletariada' em pleno XXI, fiz por mim mesmo e faria de novo.
me cansei,
por uma escassez de vidas alheias q fossem interessantes, e merecessem minha avaliação. Foi momentâneo, não queria ser idagado por um esbarrão
que me desconcentrasse,
de uma auto avaliação, pois o vidro estava limpo e eu me enxergava, era a hora que eu esperava a tempos e nunca puder ter. '- Anda, não enrole!' pensei, mas não disse, era era vergonhoso.
Preto duro,
meu cabelo. Bagunçada e dura, minha sobrancelha. Constante e irritante, lamentava meu tic nervoso. E ainda sim não estava me avaliando, talvez por medo ou por não ter razão alguma de ter que me jogar contra a parede só porque achava sensato.
Sim,
era esse o motivo, era sim eu assumo. Tinha de fazer, era ali ou nunca. Segurei mais firme, no desembarque do sedentário comilão, me olhei nos olhos e percebi que...
Ela levantou,
pra descer e eu sentei-me ali, confortavelmente olhei para o banco da frente e não me vi. O que aconteceu com o rapazinho, intrigante que me aguçava as lembranças mais vagas possiveis,
não sabia,
e assim fiquei.
Gregório Darantes Costa
e ele passa, passam casas e passam postes, passam pessoas e elas tambéms passam.
quem as leva não sou eu,
elas são transeuntes, obsoletas em encontrar a felicidade tão comentada pelo mundo.
estou em pé,
e assisto a pessoas q tem uma vida mediocre, se comparadas a si mesmas. Todas tão satisfeitas com o que já fizeram, que descansam em pleno momento de ascensão moral.
um lugar se vagou,
no ônibus, no cás, em qualquer parada - um aperto mais forte. Pessoas sendo observadas, por mim, por outras, e sentem-se necessárias no contexto em que vivem, e fazem uma experiência simples se tornar cada vez e mais conturbadora.
olhei e pensei,
se deixaria q a vaga me escapasse, se era o momento de parar a avaliação constante de meus suspostos semelhantes. Não, era o que eu tinha a dizer. Esperei
ela sentou,
mas não antes de sorrir com parcimônia, de canto de boca recebi um recibo de que tinha feito uma boa ação. Mas eu não me importei com a sua vida sofrida de 'proletariada' em pleno XXI, fiz por mim mesmo e faria de novo.
me cansei,
por uma escassez de vidas alheias q fossem interessantes, e merecessem minha avaliação. Foi momentâneo, não queria ser idagado por um esbarrão
que me desconcentrasse,
de uma auto avaliação, pois o vidro estava limpo e eu me enxergava, era a hora que eu esperava a tempos e nunca puder ter. '- Anda, não enrole!' pensei, mas não disse, era era vergonhoso.
Preto duro,
meu cabelo. Bagunçada e dura, minha sobrancelha. Constante e irritante, lamentava meu tic nervoso. E ainda sim não estava me avaliando, talvez por medo ou por não ter razão alguma de ter que me jogar contra a parede só porque achava sensato.
Sim,
era esse o motivo, era sim eu assumo. Tinha de fazer, era ali ou nunca. Segurei mais firme, no desembarque do sedentário comilão, me olhei nos olhos e percebi que...
Ela levantou,
pra descer e eu sentei-me ali, confortavelmente olhei para o banco da frente e não me vi. O que aconteceu com o rapazinho, intrigante que me aguçava as lembranças mais vagas possiveis,
não sabia,
e assim fiquei.
Gregório Darantes Costa
terça-feira, 8 de julho de 2008
A Nossa Amizade...
"Hoje eu queria lhe dar estrelas
brilhantes e coloridas, porque
considero você uma pessoa especial.
E é com você que quero celebrar
o sentimento da amizade.
Quantas coisas boas compartilhamos
Nosso encontro não foi casual,
estava escrito!
Teríamos que nos encontrar.
Talvez porque esta amizade
venha se fortalecendo
ao longo de várias vidas.
Mas o que importa é o presente
e o presente somos nós e a nossa amizade.
Que hoje as estrelas brilhem
com mais intensidade e, se você notar
algumas com um brilho diferente,
saiba que foram aquelas que eu
pedi a um anjo para lhe entregar.
Dedico a você com carinho..."
Linda Noite de Amor!!!
Fique na Paz e na Luz.
Doce Beijo.
By Carla Reike
brilhantes e coloridas, porque
considero você uma pessoa especial.
E é com você que quero celebrar
o sentimento da amizade.
Quantas coisas boas compartilhamos
Nosso encontro não foi casual,
estava escrito!
Teríamos que nos encontrar.
Talvez porque esta amizade
venha se fortalecendo
ao longo de várias vidas.
Mas o que importa é o presente
e o presente somos nós e a nossa amizade.
Que hoje as estrelas brilhem
com mais intensidade e, se você notar
algumas com um brilho diferente,
saiba que foram aquelas que eu
pedi a um anjo para lhe entregar.
Dedico a você com carinho..."
Linda Noite de Amor!!!
Fique na Paz e na Luz.
Doce Beijo.
By Carla Reike
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